QUARTA-FEIRA, 19 DE DEZEMBRO DE 2018    
  PT-BR
   

Automutilação: a dor física que alivia a alma

Publicado em 31/07/2018

A depressão, a bipolaridade ou o transtorno borderline – aumentam de 20% a 60% a chance de uma pessoa se automutilar

É um comportamento arriscado, que pode estar associado a sérios transtornos psiquiátricos e, o mais preocupante, que atinge cerca de 20% de jovens e adolescentes. Mesmo assim, o tema automutilação ainda é velado e cercado por tabus. Por ser pouco discutido pela sociedade, as pessoas que sofrem com esse problema sentem vergonha de procurar auxílio. Na outra ponta, há muita gente despreparada para socorrer quem precisa de ajuda.

Segundo o psiquiatra Renato Ferreira Araújo, que integra a equipe de doutores da Clínica Mangabeiras, automutilação pode ser definido como o ato intencional e repetitivo que envolve agressão direta a alguma parte do corpo.

Ao contrário do que diz o senso comum, quem provoca machucados (lesões) em si mesmo não quer chamar a atenção. Tanto que essas pessoas sentem vergonha pelo ato e tentam esconder as marcas deixadas pelo corpo.

Embora o corte seja a forma mais comum de automutilação, há pacientes que se mordem, arranham, batem e até se queimam, enumera o especialista. Tudo isso na tentativa de aliviar a dor psíquica.

“É como se fosse uma válvula de escape para enfrentar uma situação problemática, para desviar um pensamento ruim. Esse comportamento é um meio de autopunição, uma forma patológica de aliviar a tensão ou descontar a frustração”. Segundo Renato, a maioria dos pacientes garante não sentir dor física enquanto se machucam.

Fatores de Risco

Por enquanto, poucos estudos foram feitos sobre o assunto. Sabe-se, porém, que mulheres têm uma tendência maior a praticarem esse ato. E a presença de um transtorno psiquiátrico – como depressão, bipolaridade ou transtorno de personalidade borderline – aumentam de 20% a 60% a chance de uma pessoa se automutilar.

Adolescentes também fazem parte do grupo de risco. “São seres humanos ainda em formação, emocionalmente imaturos”, justifica o psiquiatra. Apesar de muita gente tratar o assunto como se fosse uma “modinha” entre esse grupo, uma pesquisa publicada neste  mês de julho pela Academia Americana de Pediatria sobre o tema constatou que 17% dos jovens que se mutilaram a primeira vez tiveram pelo menos um outro evento de automutilação no ano seguinte.

Além disso, pessoas que fazem uso de drogas, incluindo o álcool e o tabaco, e que sofreram abuso, negligência infantil ou conflitos familiares têm uma predisposição maior a adotar esse comportamento.

A boa notícia é que esse mal pode ser tratado. “Não existe um remédio específico para a automutilação”. Mas se o psiquiatra descobrir a origem do problema, ele pode tratar as causas que levaram a automutilação e ajudar o paciente”. A psicoterapia, acrescenta o médico Renato, também é necessária.

Embora seja um problema silencioso, quem se machuca dá alguns sinais de que não está bem. Mudanças no comportamento, reclusão e até mesmo o uso de roupas muito fechadas – como moletons inclusive em dias quentes – são possíveis indícios de automutilação.

A maioria dos pacientes não tem a intenção de se matar. No entanto, a pesquisa da AAP concluiu que o risco de suicídio em um adolescente ou adulto jovem é muito aumentado após um ou mais episódios de automutilação. “Por isso o tratamento é tão importante. Se não receberem a ajuda de um especialista, o mal pode evoluir para algo pior”, alerta o psiquiatra Renato Ferreira.

 

Renato Ferreira Araújo - Formado em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Residência Médica em Psiquiatria pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (IPSEMG)

Mestrado em Neurociencias - Instituto de Ciências Biológicas - (UFMG)

Formação em Eletroconvulsoterapia pela Columbia University - (EUA)

Formação em Estimulação Magnética Transcraniana pela Harvard Medical School - (EUA)

Membro da International Society for ECT end Neuromodulation (ISEN)

Site: http://clinicamangabeiras.com.br 

REDES SOCIAIS

NOSSAS PUBLICAÇÕES

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

Receba os últimos artigos e notícias sobre turismo diretamente em seu e-mail:

Rua Conselheiro Galvão, 68 - Jaraguá | BH/MG   
(31) 2552-2525/3441-2725/99998-8686
desenvolvido por SITEFOX