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Bairros da região do Cidade Nova estão cercados por vias perigosas

Publicado em 04/07/2017

Para chegar à região Nordeste é preciso passar pela perigosa Avenida Cristiano Machado ou por duas movimentadas avenidas da capital: José Cândido da Silveira e Jacuí. Essas vias são de vital importância metropolitana, pois ligam o Centro de BH à Cidade Administrativa, ao Aeroporto de Confins, à Zona Leste e às áreas turísticas como Sabará, Serra do Cipó, Lagoa Santa, a Gruta da Lapinha e a Pampulha. Como se já não bastasse a lotada Cristiano Machado, um estudo mostra que as duas principais vias de saída da região estão entre as mais perigosas da capital. Motoristas, passageiros e pedestres devem estar sempre atentos para evitar descuidos, imprudências e acidentes.

A circulação na região aumentou consideravelmente nos últimos anos graças ao investimento no “promissor” Vetor Norte da Grande BH, e ao crescimento do número de veículos. Nos últimos 10 anos, a frota da capital praticamente dobrou: em março de 2006 era de 866.304 veículos e, com um aumento de 98%, atingiu a marca de 1.714.947, em março de 2016, segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Em Belo Horizonte, foram acrescentados em média, a cada ano, cerca de 91 mil veículos. O número de vítimas de acidentes na capital também teve um considerável aumento de mais de 45%.

Um estudo feito pelo Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) comprova o perigo. A via belo-horizontina “campeã” em trechos de alto risco de acidentes é a Cristiano Machado. No levantamento feito há pouco mais de dois anos e meio, o Detran divulgou 95 pontos de extremo perigo na capital. Nesses locais, o estudo classifica como alto o risco, onde pedestres podem ser atropelados e veículos se envolverem em capotagens e batidas. Pelo menos 20 desses pontos estão localizados nos 14,3 quilômetros da Cristiano Machado. A média revela um trecho de extremo perigo a cada 680 metros. Abaixo da Cristiano Machado, a pesquisa aponta a Avenida Antônio Carlos com 13 pontos nos cerca de oito quilômetros, ou seja, um trecho de extremo perigo a cada 615 metros. A Avenida Amazonas, com nove pontos, ficou em terceiro lugar.

Apesar desses problemas, os números mostram que a quantidade de acidentes com vítimas na capital mineira diminuiu em 16%, do ano 2000 para 2015. Conforme levantamento feito pela BHTrans, com base em dados de 2015, Belo Horizonte registrou 13.299 acidentes com vítimas, das quais 1.945 eram pedestres. Entre as avenidas com mais acidentes estão também: Amazonas, Contorno, Afonso Pena, Vilarinho, Andradas, Tereza Cristina e Avenida Pedro II. De acordo com a Assessoria de Comunicação do Denatran-MG, a taxa de mortalidade em Belo Horizonte é de 5,99 por 100 mil habitantes, em 2015.

 

Motociclistas

Entre os principais problemas ocorridos nas vias estão os excessos com motocicletas. Ano passado, 6.051 pessoas foram atendidas vítimas de acidentes com motos, pelas ruas de Belo Horizonte e região metropolitana. A referência é o número de atendimentos feitos pelo Hospital de Pronto-Socorro João XXIII. No primeiro trimestre de 2016, 1.568 motociclistas foram atendidos, enquanto no mesmo período deste ano, 1.368 condutores de moto deram entrada naquele Hospital.

O emplacamento dos veículos aumenta praticamente na mesma proporção na capital. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), de 2016, o tráfego de BH totalizou 214.263 motocicletas circulando pela cidade.

Os motociclistas, ao mesmo tempo em que são acusados por abuso na direção, são os mais vulneráveis nos acidentes. Questionado sobre os abusos, o motofretista Wanderson Cristiano se defende e acusa alguns de negligência: “Temos de andar mais rápido por causa da demanda de serviço. Andamos no corredor com muitos motoristas nos fechando. Mas tem muito motociclista que abusa. Correm no corredor e não respeitam a sinalização”. O colega de Wanderson, Leonardo Antônio, culpa outros pela falta de atenção: “As pessoas ficam dirigindo com celular na mão e não prestam a atenção no trânsito. Não olham para o lado e nem pelo retrovisor”, relata.

 

Imprudência e sinalização

Fomos às ruas perguntar às pessoas que passam pelos locais diariamente o motivo desse aumento de acidentes. Entre os taxistas as opiniões são parecidas: “As pessoas não respeitam a sinalização. Seja motorista ou pedestre”, resume Nilton José. Seu colega Júlio César Naziazeno complementa: “Os acidentes acontecem por causa da imprudência de todos: motoristas e pedestres. Os condutores parecem estar sempre em competição. Um tentando ultrapassar o outro, o outro fechando, aí o motoqueiro vê um corredor e passa... e por aí vai. Os pedestres, por outro lado, atravessam fora da faixa e das passarelas”. O taxista Hallison Lagares diz mais: “A culpa é da imprudência dos motoristas, da falta de fiscalização e de conhecimento das regras de trânsito. Seja na Cristiano Machado, Antônio Carlos ou qualquer outra avenida, as pessoas não respeitam as regras de trânsito”, salienta.

Os trabalhadores do transporte público reclamam da precariedade da sinalização: “A sinalização em BH é falha. Existem muitas faixas de pedestres e placas apagadas. A pessoa já não respeita e os responsáveis não sinalizam corretamente. Aí só pode acabar em acidente mesmo”, opina Wagner Almir, motorista de lotação. O cobrador Elton Negreiros reclama também da fiscalização: “Motoristas e motoqueiros saem ‘costurando’ todo mundo igual a malucos. Aí não tem ninguém fiscalizando, seja PM ou BHTrans. Com isso, eles continuam a correr e cometem várias infrações. Deviam punir mais os infratores”, reclama.

O Tenente-Coronel Roberto Turbino Campolino, por meio de assessoria de comunicação do Batalhão de Trânsito da PMMG, explica que “mais de 90% dos acidentes de trânsito ocorrem por falha humana. Muitos condutores ignoram as regras de circulação e colocam em risco a segurança viária.” Ele conta, ainda, que o maior desafio é conscientizar os cidadãos a respeito de más condutas como: “imprudência, falta de atenção, falta de respeito à sinalização, falta de consciência, irresponsabilidade, pressa, negligência e imperícia, dentre outras, que aumentam os riscos de acidentes”. Para a melhoria da mobilidade, a Polícia Militar, por meio do Batalhão de Trânsito, faz fiscalizações diárias.

 

In loco

Na Avenida Cristiano Machado a população enumera muitos problemas. O ambulante Gonçalo Onofre trabalha em cima da passarela, sobre a via, na altura do bairro União, e assiste de “camarote” às imprudências: “Infelizmente, os motoristas estão muito apressados e imprudentes. O tempo todo é possível ver infrações graves e pessoas colocando as outras em risco”. Morando à beira da avenida, no Cidade Nova, a aposentada Oredi dos Anjos assiste da sua varanda ao caos diário. Ela questiona o comportamento dos motociclistas: “São muito abusados. A maioria ultrapassa os carros de maneira irresponsável. Para o pedestre é um perigo imenso”. A usuária de ônibus Helena de Jesus se sente vulnerável como pedestre: “Vamos atravessar no sinal e já tem um monte de carros e motos avançando em cima de nós”, reclama.

Além dos engarrafamentos e muitos acidentes, existe a obra da Via 710, que ligará a Andradas e a Cristiano Machado, gerando outro problema para a região. Essa obra, com previsão de término para a Copa de 2014, só teve início em março de 2015, e agora com data de conclusão para 31 de dezembro deste ano. Somado a isso, a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) enfrenta problemas nas desapropriações dos imóveis por onde passa a Via 710, faltando resolver 52 casos que estão pendentes na justiça. A obra interditou a Avenida José Cândido, na altura do metrô de mesmo nome, deixando o trânsito ainda mais complicado e congestionado. Para atravessar a interdição é preciso dar uma volta atrás do metrô, aumentando o tempo de trânsito e de acidentes por ali. Isso sem contar que o cruzamento com a Cristiano Machado está entre um dos pontos de extremo perigo da capital.

 

Medidas drásticas

BH é a terceira pior cidade do país em mobilidade urbana, ficando atrás apenas das regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e São Paulo. O estudo é do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (Inct), por meio do Observatório Urbano das Metrópoles, e aponta que cerca de 24,2 milhões de pessoas se deslocam diariamente nas 15 metrópoles brasileiras. Nessa população, 6,8% gastam cinco minutos no trajeto de casa para o trabalho, 39% entre seis minutos e meia hora, 33% entre meia hora e uma hora e 21% levam mais de uma hora.

Com essa situação, medidas drásticas precisam ser adotadas. O rodízio de veículos e o pedágio urbano já estão oficialmente na lista de medidas possíveis em BH. Esses artifícios integram o Plano Diretor de Mobilidade Urbana (PlanMob), que prevê a criação de estacionamentos em estações de metrô e a elaboração de estudos para viabilizar o transporte de cargas, vagas rotativas e segurança no trânsito. A BHTrans sustenta que não pretende implantar as medidas a curto prazo, mas especialistas consideram inevitável a restrição ou controle à circulação de veículos em grande parte da cidade.

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