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Educação financeira: como administrar melhor o seu dinheiro no dia a dia

Publicado em 04/07/2017

Todo adulto é um gestor financeiro. Diariamente, tomamos decisões que comprometem a nossa saúde monetária. Devo ou não ir ao supermercado? Se for com amigos ao bar, vou gastar quanto? Será que compro uma roupa nova ou aproveito melhor as que já tenho? Uso ou não o cartão de crédito? Parcelo ou não esta compra? Como gastarei o 13º salário? Enfim, estamos em “encruzilhadas” econômicas, constantemente. O controle financeiro evita percalços, principalmente em época de crise, mas muita gente não sabe lidar com o dinheiro por mero desconhecimento das técnicas de controle. Educação financeira pessoal vai muito além de cálculos matemáticos e planilhas: é um conjunto de informações básicas para gerir o dinheiro cotidianamente, elaborando e acompanhando o orçamento pessoal ou familiar como comprar, poupar e investir.

Segundo uma pesquisa do Serasa-Experian, Minas Gerais tem uma taxa de 25% de famílias inadimplentes. “O brasileiro não sabe poupar antes de comprar e por isso adquire financiamentos que não cabem no orçamento. Além disso, diante de uma publicidade tão poderosa, o brasileiro é levado ao consumo inconsciente, desperdiçando entre 20 e 30% daquilo que consome. Somos bombardeados por propagandas que envolvem a emoção e que nos levam ao consumo inconsciente, o que pode gerar a dívida e a inadimplência. Por isso, pare e pense antes de comprar. O crédito facilitado, o mau uso do cartão de crédito bem como o pagamento mínimo da fatura, os parcelamentos a perderem de vista, com juros e o uso de cheque especial são armadilhas que levam ao endividamento ou à inadimplência”, diz Herica de Carvalho Pacheco Gomes, especialista em Gestão Estratégica de Marketing da DSOP Educação Financeira. Esta organização tem a missão de disseminar a educação financeira no Brasil e no mundo e ensina as pessoas a conquistarem autonomia financeira para a realização de seus sonhos.

Mas qual o ponto de partida para quem quer poupar? “É a construção de uma tabela ou planilha de gastos, que discrimine de onde vem e para onde está indo o dinheiro no dia a dia, de modo a facilitar a identificação das fontes de excesso de gastos. O site do Banco Central possui ótimas referências para quem quer começar. Dados de outubro de 2016 da Confederação Nacional do Comércio indicam que 62% das famílias apresentam algum tipo de dívida, e a proporção de famílias inadimplentes chegou a 23%. Ou seja, é fundamental a disciplina na gestão do orçamento familiar, pois, dependendo da dívida contraída e do padrão de gastos da família, a capacidade de poupança é reduzida a zero”, aponta o professor de Finanças da Universidade Federal de Minas Gerais e especialista em educação financeira, Aureliano Bressan.

 

Controle

A advogada e economista Luciana Nogueira relata que aplica seu conhecimento profissional na vida particular: “Controlo gastos com planilhas demonstrativas (receita e despesa). A visão  de gastos fixos comparada à receita facilita controlar as finanças da casa. Se o orçamento fica apertado, trabalho com a planilha a fim de reduzir custos, seja na diminuição de supérfluos ou ainda na compra de produtos com preços menores. Ficar atento aos preços no supermercado também é um hábito que deve ser praticado, contudo, devemos nos ater ao peso/líquido dos produtos, pois uma coisa deve compensar a outra”, explica. Luciana afirma, ainda, que a planilha ajuda também no momento de planejar viagens, cursos, festas, comprar presentes e com uma reserva para casos de emergência. Ela ressalta que, caso a renda seja variável, como a de um profissional autônomo, ele deve ter uma constante disciplina de guardar/aplicar/investir pelo menos 15%: “Poucos brasileiros sabem poupar. Não tivemos educação para isso! Nas escolas, deveriam ensinar aos alunos essa educação financeira”, reivindica.

Mas há estudiosos que são otimistas com os brasileiros, apesar de entenderem que ainda somos “analfabetos financeiros”. É o caso de Daniel Meinberg, especialista em educação financeira: “A maioria da população brasileira não sabe poupar. Quando muito, conseguimos juntar dinheiro em caderneta de poupança. Nem 3% da população investe razoavelmente. Mas, se por um lado o brasileiro não tem educação financeira, não sabe investir, não sabe planejar uma compra e vive endividado, por outro, é um povo extremamente esforçado, trabalhador, que luta para honrar seus compromissos. Ao contrário do que muitos pensam, não somos um povo malandro: a maioria das pessoas é honesta e não foge às suas responsabilidades. Acredito piamente que temos condições de educar este povo, fazendo-o crescer e, consequentemente, o país prosperar”, diz o especialista, que também é blogueiro do educandoseubolso.blog.br.

Seu colega de blog, Daniel Loureiro Araújo, conta que a página tornou-se sucesso graças à falta de referência das pessoas no assunto: “As pessoas não têm a mínima noção de serviços financeiros, produtos bancários, dentre outros. Criamos postagens com temas sobre comparadores de máquinas de cartão de crédito, de lâmpadas de led, de combustíveis, dentre outros, que são ferramentas que a pessoa usa para economizar. Além disso, prestamos consultoria e damos palestras e cursos.” Ele considera, ainda, que essa educação deveria ser ensinada na escola: “O brasileiro carece de informação, seja como guardar ou onde investir. Se tivéssemos uma educação financeira já na escola, teríamos melhor formação.”

 

Prática

Conversamos com os moradores e comerciantes da região para conhecer o nível de sua educação financeira. Quem já trabalha com finanças, tende a aplicar na vida real. É o caso do empresário Ricardo Proença: “A experiência que possuo como empresário ajuda e muito, mesmo porque, hoje, minha família também trabalha na empresa e tem responsabilidades importantes de controle e acompanhamentos e sabem quando é o momento que precisa de atenção”, destaca.  

A empresária Kenya Lopes, também já prepara suas filhas: “Tento ensinar para as minhas filhas o valor do dinheiro. Elas recebem seu ‘salário’ por determinadas tarefas e é com esse dinheiro que compram o que querem”, ressalta. Diferentemente de muitos, Kenya diz que conseguiu se organizar por conta da forma de cobrança do cartão de crédito, mostrando que o “vilão” é quem usa o cartão desordenadamente: “Concentro o maior gasto possível no cartão de crédito, assim tenho uma ideia melhor do meu gasto mensal e ainda ganho pontos nos programas de fidelidade, que acabam gerando algum ‘lucro’ em outras compras”, conta. 

Mas, infelizmente, esse não é o perfil de todos os brasileiros. “Nunca fiz planilha. Entrou o dinheiro e saímos gastamos”, diverte-se Sérgio Dutra, empresário e taxista. Assim como Sérgio, muitas pessoas não controlam seus gastos e, consequentemente, acabam “se perdendo” em meio às contas a pagar versus o desejo de comprar. Ter uma boa educação financeira requer disposição e força de vontade para mudar os hábitos em relação às compras descontroladas. É necessário compreender que lidar com dinheiro requer responsabilidade para que o seu uso seja feito de forma consciente. Caso contrário, dificilmente será possível progredir na vida financeira. Então, mãos à obra! Repense seus gastos, seja um consumidor consciente e tenha uma boa qualidade de vida financeira.

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