DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO DE 2019    
  PT-BR
   

Escolas cada vez mais conscientes para as formações e disciplinas do futuro

Publicado em 08/10/2019

Muito se discute sobre o futuro da educação. Aqui mesmo, no Jaraguá em Foco, debatemos este assunto algumas vezes durante os 11 anos de distribuição do jornal. E a maior indagação é: como as escolas estão se preparando para o futuro e as novas formações e disciplinas? Como é possível melhorar a educação no Brasil?

O conhecimento é tema fundamental em qualquer projeção que se faça do futuro. E é fato que o desenvolvimento de um país está condicionado à qualidade da sua educação. Para alguns, as perspectivas são otimistas; para outros, nem tanto. Sempre surgem dúvidas sobre qual é a melhor formação, melhor método, ou que tipo de escola ou de ensino é melhor para o filho.

Dados do Governo Federal revelam que a maioria das crianças têm acesso ao ensino básico no país. No entanto, ainda temos de conviver com grandes problemas nesse setor, como o da porcentagem de alunos que repetem de ano ou que abandonam os estudos, porque precisam trabalhar para sobreviver.

Assim sendo, como melhorar essa realidade? Investir em treinamento e capacitação? Na modernização das escolas? Quais alterações o currículo escolar deve sofrer para preparar os alunos para os desafios dos dias atuais? Será que os métodos atuais agregam de fato conhecimento aos discentes e os preparam para exercer sua cidadania e competir no mercado de trabalho?

Desafios

Um dos maiores problemas do quadro atual da educação tem sido justamente pensar em ensinamentos que vão além dos conteúdos tradicionais. Para Ângela Castro, diretora pedagógica do Instituto Educacional Espaço Baby & Encantado, a desatualização é prejudicial para as escolas. “Uma das principais críticas à forma de ensino atual é que ela não se reinventou com o tempo e a falta da adaptação às necessidades modernas faz com que as instituições entreguem para a sociedade jovens que, apesar do diploma, não têm as habilidades pedidas pelo mercado”, afirma. As escolas precisam oferecer ensinamentos que vão além dos conteúdos tradicionais e que formem estudantes preparados para lidar com as novas exigências da sociedade.

Segundo a coordenadora pedagógica do ensino fundamental II e médio do Colégio Santa Marcelina, Maria Luiza Borges, outro grande desafio é “promover a multiplicidade de letramentos por meio de experiências educacionais criativas, cujo protagonista é o aluno. A escola mudou – e muito – e é impossível pensar educação em termos de transferência de conhecimento; faz-se necessário aguçar a curiosidade do aluno e dar espaço para pensar o concreto, a realidade”.

Já Denise Campos Duarte, diretora pedagógica do Centro Educacional Iza Rizzotti, alerta que, para ocorrerem mudanças, é necessário modernizar as escolas e preparar profissionais capazes de lidar com as diferenças. “É urgente acompanhar a evolução humana. É preciso instrumentalizar as escolas e capacitar os educadores para lidar com as diferenças, que são múltiplas”, diz.

Melhorias

Apesar de ainda ser necessário percorrer um longo caminho, é possível identificar mudanças positivas. Existem escolas que reconhecem as falhas no currículo e pensam em novas estratégias de aprendizado.

Para a diretora pedagógica do Instituto Educacional Manoel Pinheiro, Viviane Brandão de Toledo, algumas escolas já estão percebendo a necessidade de mudanças no currículo e pensam em novas formas de ensinar. “Sinto que as escolas já estejam vislumbrando novas tecnologias e práticas pedagógicas que incentivem o aprendizado significativo e prático, traçando metas objetivas e avaliando o processo de maneira mais eficiente, a fim de tratar as dificuldades dos alunos de forma mais eficaz”, afirma.

Outro fator que tem contribuído para transformações é a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), homologada em 2017 pelo MEC. O documento define o conjunto de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas do ensino básico. “Pela primeira vez um documento orienta os conhecimentos e as habilidades essenciais, garantindo o direito de aprender durante toda a vida escolar, colocando o aluno como protagonista do seu processo de aprendizagem”, explica a diretora da Officina das Letras, Elizabeth Amaral de Oliveira.

Comprometimento

Para que todas as mudanças apontadas por esses profissionais possam ocorrer e que as melhorias que estão em curso possam ser aprimoradas, é necessária a união da sociedade. Segundo o diretor do Sistema Piaget de Ensino, Sérgio Pinheiro Caldas, “só com o comprometimento de todos no processo educacional é que poderemos colher os frutos desejáveis. O Brasil pode muito, mas depende de como o brasileiro encara cada situação e o quanto se dedica diante de cada desafio”.

Todos os setores precisam contribuir para a formação de um sistema educacional eficaz. A consultora pedagógica do Colégio Dona Clara, Grace Zauza, acredita que “é preciso que as autoridades e a população em geral encarem a educação como fundamental para o progresso de uma nação. Governo, sociedade e família precisam enxergar a escola como um espaço privilegiado de desenvolvimento, construção de conhecimento e de relações humanizadas e respeitosas, uma vez que nela somos impelidos a conviver em grupo e a produzir conhecimento. Essas três dimensões precisam trabalhar em consonância”.

Além da união, é preciso colocar em prática em todas as instituições de ensino as propostas existentes. De acordo com a diretora do Colégio Santa Maria – Unidade Pampulha, Leandra Maria Gomes, “haverá uma melhoria gradativa quando a proposta de formação integral do sujeito for colocada em prática. A implementação de temas como habilidades emocionais, educação financeira, tecnologia e bilinguismo é o ponto de partida para que a educação realmente seja significativa e ajude na formação de um sujeito ético, crítico e solidário”.

As alterações no sistema educacional do país não acontecerão da noite para o dia. Será um longo processo que precisa de muita atenção e planejamento para ser bem executado. Mas quando isso acontecer teremos, num futuro próximo, jovens mais conscientes e mais preparados para trabalhar bem nas novas profissões que irão surgir e a lidar melhor emocionalmente com as mais diversas situações.

REDES SOCIAIS

NOSSAS PUBLICAÇÕES

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

Receba os últimos artigos e notícias sobre turismo diretamente em seu e-mail:

Rua Orozimbo Nonato, 595 - Dona Clara | BH/MG   
(31) 2552-2525 / 3441-2725 / 99998-8686
desenvolvido por SITEFOX