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Gastrite é mais um mal do cotidiano

Publicado em 21/01/2019

Só quem tem gastrite sabe que a doença é muito maior que um simples desconforto estomacal. Cerca de 70% da população brasileira está infectada pela bactéria Helicobacter pylori, uma das principais causas da doença, que também pode contribuir para o desenvolvimento de úlcera e câncer de estômago. Em épocas de correria cotidiana, estresse, falta de tempo, má alimentação com refeições corridas e produtos industrializados ela costuma atacar.

Caracterizada como um “mal do século XXI”, a gastrite é uma inflamação da mucosa estomacal, que causa dor com queimação, indigestão e arrotos frequentes. Entre as causas, estão o abuso do álcool, uso de anti-inflamatórios, estresse e nervosismo. Esses fatores contribuem para o aumento da acidez estomacal, o que gera feridas na superfície da mucosa. O tratamento é feito associando uma dieta adequada aos medicamentos que diminuem a acidez do estômago, o que protege a mucosa inflamada da parede estomacal.

Existem cinco tipos de gastrite: nervosa, quando os sintomas surgem no momento em que o indivíduo encontra-se sob estresse e ansiedade; aguda, quando surge de forma repentina, podendo ser causada por uma doença ou por uma lesão grave e súbita; crônica, quando vai se desenvolvendo ao longo do tempo; erosiva, quando, além da inflamação, há algum esboço de lesão nas camadas mais internas do estômago devido ao uso de medicamentos, doença de Crohn ou infecções causadas por vírus ou bactérias; e enantematosa, quando, além da inflamação, há lesão nas camadas mais internas do estômago, mas que ainda não pode ser classificada como úlcera.

 

Gastrites agudas e crônicas

A gastroenterologista e especialista em Doenças Funcionais da Clínica SEDIG, Vera Lucia Angelo Andrade, explica que a gastrite pode ser ocasionada por maus hábitos e ingestão de álcool, ou remédios inadequados. “A gastrite aguda pode ser causada, por exemplo, por medicamentos como aspirina e anti-inflamatórios, ou pelo uso frequente de álcool. Aparecem feridas agudas no estômago que podem cicatrizar sozinhas, assim como ocorre nas aftas na boca”.

Já a gastroenterologista e professora da Faculdade de Medina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Maria do Carmo Friche Passos, destaca que a principal causa da gastrite crônica é a infeção pela bactéria H. pylori. “Na maioria das vezes, a gastrite crônica é uma condição assintomática. O que ocorre é uma confusão de terminologia, e os pacientes e mesmo alguns médicos denominam a gastrite à presença de sintomas (dor ou queimação no estômago, saciedade precoce, peso e empachamento após as refeições, eructações, náuseas). Nestes casos, o paciente é portador de dispepsia”, relata.

As gastrites crônicas são assintomáticas, e a principal causa delas é uma bactéria chamada Helicobacter Pylori. A maior parte da população possui essa bactéria no estômago e não apresenta sintomas. Há também a gastrite autoimune, em que há produção de anticorpos contra as células do estômago que produzem ácido, que é mais comum em mulheres idosas e pode levar à deficiência de fator intrínseco de absorção de vitamina B12 e anemia.

Questionada se o cigarro leva ao câncer de pulmão, Vera Lúcia alerta: “O cigarro não leva só a câncer de pulmão, mas também a uma lesão no estômago. Ele é um fator de risco para o câncer de esôfago e de estômago. Parar de fumar sempre é recomendado para todos os pacientes”. A médica ressalta a importância de se alimentar adequadamente. “Prevenção é a base de tudo. Alimentar-se com regularidade, evitar alimentos industrializados, álcool, condimentados, refrigerante é importante para quem sofre com o incômodo da gastrite”, finaliza.

 

Tratamento

O tratamento da gastrite consiste na eliminação das suas causas e no uso de medicamentos sob orientação médica. Alguns exemplos de remédios para gastrite são Omeprazol, Ranitidina e Cimetidina, mas a alimentação adequada é muito importante para o sucesso do tratamento. Em uma fase inicial, o paciente deverá alimentar-se de legumes, verduras e frutas cozidas. Beber somente água e evitar café, chocolate, bebidas alcoólicas e refrigerantes. Como opções de carne, estão as carnes magras cozidas sem muitos condimentos. Além disso, vale lembrar que o tratamento adequado deve sempre ser indicado pelo médico, que irá avaliar qual é o tipo de gastrite do paciente e quais serão a medicação e os alimentos indicados para cada caso.

 

SINTOMAS

Os sintomas de gastrite incluem:

  • dor de estômago ou desconforto abdominal logo após a refeição ou quando se fica muito tempo sem se alimentar,
  • abdômen inchado, principalmente após as refeições,
  • náusea e vômitos,
  • indigestão,
  • mal-estar,
  • queimação no estômago,
  • gases que saem em forma de arrotos ou flatos.

 

DIETA

A dieta para gastrite se baseia na retirada de alimentos que excitam a motilidade gástrica e aumentam a produção de ácido clorídrico, tais como:

  • café, chá preto, refrigerante, sucos industrializados, bebidas alcoólicas,
  • alimentos muito gordurosos e muito fibrosos, como vegetais crus,
  • molhos, como o ketchup e mostarda,
  • alimentos com muitos condimentos.

A sensibilidade de cada pessoa é muito diferente e, por isso, não é possível afirmar que a laranja ou o tomate fará mal em todos os casos. Por isso, consultar um nutricionista ou nutrólogo é importante para individualizar o regime alimentar.

 .Matéria publicada na edição 103 do Jornal Jaraguá em Foco

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