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Leishmaniose canina: uma doença cruel e fatal, mas que pode ser tratada

Publicado em 26/02/2015

Os donos de animais de estimação, principalmente cachorros, ficam receosos ao ouvir a palavra leishmaniose. É, de fato, uma doença cruel, que pode não só tirar a vida do animal, como também infectar a família. Ela é causada pelo parasita (protozoário) Leishmania sp., transmitida pela picada de flebótomos (insetos) contaminados. No Brasil o mosquito transmissor é conhecido por mosquito-palha ou birigui e é encontrado em lugares úmidos, escuros, onde existem muitas plantas e material orgânico em decomposição. Os cães são considerados o principal alvo da doença no meio urbano.

A evolução da leishmaniose pode ser crônica (lenta) ou aguda (rápida), de difícil diagnóstico. Mas é fatal, o que aumenta a preocupação. Devido à falta de informação e prevenção, os focos da leishmaniose visceral canina têm se expandido no Brasil. A doença já foi encontrada em pelo menos 12 países da América Latina, sendo 90% dos casos no Brasil.

A forma mais efetiva de prevenção é a proteção contra as picadas dos insetos, fazendo uso de repelentes de ação prolongada, uso de coleira impregnada com inseticida (a Scalibor é a mais conhecida), evitar tosas no período de aumento da densidade do mosquito (novembro a abril), evitar passeios com o cão no final da tarde e início da noite, colocar telas do tipo malha fina no canil e manter o abrigo deles sempre limpos, sem presença de fezes ou restos de alimentos. Há também vacinas de prevenção.

Essa doença é crônica em Belo Horizonte desde a década de 1990 e a região do Cidade Nova é um dos focos de proliferação da leishmaniose, que apesar de hoje estar mais controlada, foi responsável pela perda de muitos cachorros. No entanto, essa realidade está mudando e hoje, além da vacina, existem proprietários encarando o desafio de tratar a doença, em muitos casos com sucesso.

Esclarecimentos

Francisco Daniel Schall, veterinário e proprietário da Inova Pet, aconselha a todos que tiveram seus animais examinados pela Prefeitura a buscar uma segunda opinião. “Em muitos casos acontece de confundirem a doença do carrapato com a leishmaniose e a Prefeitura não faz um segundo exame para tirar a dúvida”, afirma. Ainda segundo Francisco, é possível ver uma evolução na proteção contra a leishmaniose na região. “Aos poucos vejo que essa conscientização vai aumentando. Metade dos nossos clientes hoje tem seus cães vacinados e isso já é um grande avanço comparado com alguns anos atrás”, conclui.

Segundo Dário Carabetti, da equipe de Coordenação de Controle de Zoonoses da Prefeitura de Belo Horizonte, quando o exame der positivo para a doença, o proprietário do animal pode realizar um segundo exame em laboratório privado da escolha do clínico veterinário que o atendeu. Ele acrescenta: “Sendo esse resultado divergente do que foi realizado pela Prefeitura, ele pode solicitar que a Zoonoses realize um exame de contraprova. Assim, serão novamente coletadas mais duas amostras de sangue. Uma será enviada para o Laboratório de Zoonose e a outra para a Funed (Fundação Ezequiel Dias).”

Hoje existe apenas uma vacina para a leishmaniose no mercado. A Leishmune saiu de circulação, porque não houve a conclusão de uma das fases de teste junto ao Ministério da Agricultura. Por isso existe a expectativa de que ela ainda volte ao mercado. Enquanto isso, os veterinários têm utilizado a Leish-Tec, que demonstra ser tão eficiente quanto a primeira. “A vacina tem 93% de eficácia, e, no caso de o animal ser picado pelo mosquito, ele pode até ficar doente, mas na maioria dos casos vem de forma leve e controlada”, explica a veterinária do pet shop Mascote, Gabriela Rodrigues Monteiro.

Apesar da contribuição da vacina, é necessário tomar alguns cuidados extras para prevenir a doença. Na hora de passear com seu animal, é importante ficar atento, pois quem transmite o protozoário da leishmaniose é a fêmea do mosquito no momento em que se alimenta do sangue animal. Ela ataca principalmente no final da tarde e início da manhã. Se for caminhar à noite com seu cão, é recomendado usar a coleira repelente. “Após a terceira dose a imunidade do cão é praticamente garantida, mas aconselho evitar passear com o cão no início do dia e ao entardecer, pois são os momentos de maior atividade dos mosquitos”, revela Denise Sales Ferreira da Silva, veterinária do pet shop Sonho de Cachorro. Marcos Vinícius Andrade, estagiário de veterinária no pet shop Minas Rural, também tem uma dica simples que considera obrigação no combate à leishmaniose. “Ela é uma doença endêmica em Belo Horizonte, o que faz com que seja obrigatório o uso da coleira Scalibur, que custa cerca de R$ 70 e dura quatro meses. Ela dá a garantia de que aquele cão não vai se tornar um transmissor em potencial para toda a família”, afirma Marcos Vinícius.

Outro veterinário dá a dica: “Vacina e repelentes são prevenções. Aconselho todos a investirem na precaução, porque o proprietário pode ter certeza que prevenir é mais barato do que tratar”, destaca Renato Márcio Amado, veterinário do pet shop Doçura.

De acordo com Dario Carabetti, da Zoonoses da Prefeitura, alguns fatores contribuem para as dificuldades do controle da doença na cidade, como a resistência dos moradores à borrifação dentro dos domicílios. “Ações educativas são realizadas pelos agentes de combate a endemias com o objetivo de orientar a população sobre as formas de prevenção da doença, enfocando principalmente a importância do manejo ambiental para evitar a formação de criadouros de flebótomos (inseto transmissor da doença) e a guarda responsável dos animais”, ressalta.

Dário Carabetti explica ainda que os primeiros casos de leishmaniose na cidade ocorreram em 1994. Segundo ele, hoje o Distrito Sanitário Nordeste apresenta as mais elevadas taxas de casos positivos em cães. Ele esclarece: “Em uma avaliação de dados de testes sorológicos, em 2011 a positividade canina foi de 4,40% em inquérito censitário. Em 2012, 2,62% e em 2013 foi de 2,69%. Esses inquéritos censitários caninos são realizados durante todo o ano nas áreas de média, alta e muito alta transmissão.”

Origem da doença

O Hospital Veterinário Vetvogas conta com um profissional que foi um dos pioneiros nos estudos sobre a leishmaniose no Brasil, Carlos Alexandre Guadelupe Vogas, médico veterinário e diretor clínico do hospital. Segundo ele, a região nordeste foi o foco da origem da doença em Belo Horizonte. “Na faculdade fizemos uma pesquisa sobre o foco inicial da doença e descobrimos que ela surgiu em um canil de Sabará”, afirma. A pesquisa apontou que os primeiros cães infectados vieram do norte de Minas Gerais para esse canil, da onde a doença se espalhou rapidamente.

Após anos trabalhando com a prevenção da leishmaniose, Carlos Vogas destaca a importância de a população se informar sobre o tratamento da doença, que deve se iniciar com a consciência do proprietário de que ele está fazendo uma ação que não é 100% legal. “A pessoa precisa saber que o cão será um reservatório da doença o resto da vida. O que conseguimos fazer é reduzir a carga parasitária dele, o que gera uma diminuição dos sintomas e das possibilidades de transmissão”, revela.

Devemos ter cuidado, mantendo limpos os locais propensos ao mosquito, vacinando os animais e usando as coleiras de proteção. O mosquito se reproduz com material orgânico em decomposição. Uma fruta se decompondo, um monte de folha recolhida no quintal já são ambientes propícios. Assim, devemos ter consciência e cuidar dos nossos animais. Consequentemente, estaremos cuidando também de nossa família. Ao perceber sintomas, procure imediatamente um posto de saúde ou hospital de sua preferência para avaliação médica. A doença em humanos tem tratamento. No cão ainda não há cura, nem um tratamento 100% eficaz, mas é possível tratar em alguns casos. Para solicitar o exame para diagnóstico da leishmaniose visceral canina, basta entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Cidadão pelo telefone 156.

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