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Leishmaniose: uma doença cruel e fatal

Publicado em 18/07/2016

Os donos de animais de estimação, principalmente cachorros, ficam receosos ao ouvir a palavra “leishmaniose”. É, de fato, uma doença cruel, que pode não só tirar a vida do animal, como também infectar a família. Ela é causada pelo parasita (protozoário) Leishmania sp., transmitido pela picada de flebótomos (insetos) contaminados. No Brasil o mosquito transmissor é conhecido por mosquito-palha ou birigui. Os cães são considerados o principal reservatório da doença no meio urbano.

A evolução da doença pode ser crônica (lenta) ou aguda (rápida), de difícil diagnóstico. Mas é fatal, o que aumenta a preocupação, tanto que é considerada uma endemia prioritária pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Devido à falta de informação e prevenção, os focos da leishmaniose visceral canina têm se expandido no Brasil.

A doença já foi encontrada em pelo menos 12 países da América Latina, sendo 90% dos casos no Brasil. A forma mais efetiva de prevenção é a proteção contra as picadas dos insetos, fazendo uso de repelentes de ação prolongada, uso de coleira impregnada com inseticida (a Scalibor é a mais conhecida), evitar tosas no período de aumento da densidade do mosquito (novembro a abril), evitar passeios com o cão no final da tarde e início da noite, colocar telas do tipo malha fina no canil e manter o abrigo deles sempre limpos, sem presença de fezes ou restos de alimentos. Há também as vacinas de prevenção.

Casos na Pampulha

“A região da Pampulha é endêmica e tem muitos casos de leishmaniose. Talvez por causa da Lagoa ou mesmo pela falta de combate e prevenção. É uma situação bem problemática. Poucas pessoas sabem que há maneiras simples de combate, como o uso de spray de citronela, por exemplo, que já ajuda muito. É preciso que haja consciência de que um animal de estimação requer gastos. Não se pode ter um cachorro só por ter. A leishmaniose tem tratamento, mas isso tem um custo. Não sou a favor da eutanásia. Muitas vezes o dono não quer pagar esse tratamento por achar que não haverá resultado. O exame deveria ser uma rotina. A vacina tem alta eficácia. São três doses. No intervalo de uma para a outra o cão ainda pode adquirir a doença, por isso é recomendável que ele use uma coleira repelente, que pode durar cerca de quatro meses”, avalia o veterinário das pet shops Pet Supplies e Brother Dog, Francisco Ângelo Andrade Pereira.

Para o gerente de Controle de Zoonose da Regional Pampulha, Cristiano Fernandes, não há na região aumento de casos de leishmaniose, mas talvez as pet shops e veterinárias estejam diagnosticando mais casos. “Temos um trabalho que já é previsto para essas áreas. Trabalhamos baseados em dados epidemiológicos não só relacionados à ocorrência de casos em cães, mas também nos casos em humanos, que é uma das maiores preocupações. O Ministério da Saúde define alguns indicadores, e a partir deles estabelecemos as áreas prioritárias e de incidência mais elevadas de transmissão. A região do Jaraguá e suas abrangências são áreas mais vulneráveis, onde são desenvolvidas uma série de ações de medidas de controle, como levantamento do inquérito sorológico canino, exame laboratorial, diagnóstico da doença em cães, trabalho de borrifação de inseticida para controle de vetor nos imóveis localizados nas áreas críticas, além de orientarmos sobre as medidas de prevenção e controle de reservatórios do vetor, como as áreas ricas em matéria orgânica, sombreadas, úmidas, com deposição de matéria orgânica e restos de fezes de animais”, explica.

O proprietário da Veterinária Pampulha, Geraldo Marciano da Silva, comentou que ainda há muitos casos, mas que estão diminuindo. “Isso vem acontecendo também pela diminuição do número de animais na região, mas principalmente porque as pessoas estão mais informadas, usando as coleiras recomendadas, vacinando contra a doença e limpando o espaço em que os animais ficam”, afirma.

Cuide do seu animal e, consequentemente, estará cuidando também de sua família. Ao perceber sintomas procure imediatamente um posto de saúde ou hospital de sua referência para avaliação médica. A doença em humanos tem tratamento. No cão ainda não tem cura, nem um tratamento eficaz, mas é possível tratar em alguns casos.

SINTOMAS MAIS FREQUENTES NOS CÃES

  • Perda de apetite, e emagrecimento progressivo;
  • Apatia;
  • Febre irregular;
  • Aumento do baço e fígado;
  • Queda de pelos e ferimentos na pele que não cicatrizam;
  • Com o tempo, podem ocorrer crescimento exagerado das unhas, diarreia e perda dos movimentos das patas traseiras. Somente exames complementares parasitológicos, sorológicos e moleculares podem comprovar o diagnóstico da doença. Aproximadamente 50% dos cães infectados não apresentam sintomas, dificultando o diagnóstico e o controle da doença.

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