SÁBADO, 18 DE AGOSTO DE 2018    
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Mais um ano de prejuízos provocados pelas chuvas na região Nordeste

Publicado em 21/05/2018

“Trinta segundos”! Esse foi o tempo que a água que transbordou do córrego Cachoeirinha, no último dia 24 de fevereiro, levou para chegar à barbearia na Avenida Bernardo Vasconcelos, no Ipiranga, região Nordeste de Belo Horizonte, onde trabalha Ronaldo da Paixão. Problema de longa data, as inundações no local parecem longe do fim.

A forte chuva nesse dia na capital produziu imagens impressionantes, mesmo para quem já está acostumado com o transtorno e os prejuízos causados pelo fenômeno natural tão comum em um país tropical.

Mas para o funcionário da barbearia, que começou a trabalhar no estabelecimento dias antes daquela chuva, foi um cartão de visita nada animador. “Cara, foi muito rápido. Veio um senhor avisando que se aquela chuva continuasse por mais alguns minutos, o córrego iria transbordar. E não deu outra. Rapidinho fechamos as portas, que já têm as borrachas para evitar a entrada da água, e aí entrou só um pouco por baixo”. Ele lembra que dois clientes que estavam no local tiveram que esperar uns 40 minutos para a água baixar. “Vi carros boiando na frente da loja”.

Como quase sempre acontece quando chove forte na região, a avenida virou um rio, que desembocou na Avenida Cristiano Machado, um dos principais corredores de Belo Horizonte, justamente no trecho do Minas Shopping e do Ouro Minas - um dos principais hotéis da cidade e porta de entrada de muitas pessoas que visitam a capital.

A comerciante Jaqueline Costa, dona de uma papelaria na Bernardo Vasconcelos há dois anos, também tem portas adaptadas para impedir a entrada de água. “Toda vez que chove forte é isso. Já estamos acostumados. Mas não é todo mundo que tem essas portas. Aí o prejuízo é certo”, contou.

Cansado de tantas promessas, o aposentado Manoel do Santos, que mora na região há mais de 40 anos, se mostra descrente com uma solução: “Vou morrer e não vou ver esse problema resolvido”. Ele lembra que a inundação acontece não quando a água desce pela parte que não é fechada na canalização do córrego. “A questão é quando a água bate na Cristiano Machado e não tem vazão. Aí, ela volta inundando tudo”.

O episódio de 24 de fevereiro foi tão intenso que, nove dias depois, o Bradesco que fica na Bernardo Vasconcelos, 2.429, ainda estava fechado. Um cartaz na porta da agência avisava que, por causa do “alagamento”, o banco estava sem poder atender para que reparos fossem feitos, e orientava os clientes a procurarem agências próximas. “Isso tem que ser resolvido de uma vez por todas. Quase 10 dias depois e ainda estamos sendo prejudicados por aquela chuva”, disse o comerciante João Batista.

Longo prazo

Segundo o secretário de Obras e Infraestrutura de Belo Horizonte, Josué Valadão, o município já tem um projeto pronto para resolver o problema das enchentes no final do córrego Cachoeirinha, mas os recursos ainda não estão garantidos. “O que precisa ser feito é um canal pluvial paralelo ao que já existe, que não comporta mais o volume de água em dias de chuva forte”, explicou.

Valadão lembra que o canal por baixo da Avenida Cristiano Machado é muito antigo. “Ele é da década de 80 e precisamos fazer um novo, paralelo ao atual. Já temos o projeto pronto e estamos pleiteando os recursos junto ao Ministério das Cidades, mas ainda não há nenhuma sinalização. Caso eles não sejam liberados, o município vai buscar esse dinheiro em outras fontes”, acrescentou.

Segundo o secretário, são necessários cerca de R$ 120 milhões para a construção do novo canal, que faz parte de um projeto mais amplo. “Essas águas vão parar no córrego do Onça e temos um projeto para retirar as famílias que moram à beira desse córrego. Isso é um projeto bem maior, que contempla também intervenções na bacia do córrego Pampulha, de cerca R$ 500 milhões, pois prevê a construção de unidades habitacionais. Já retiramos cerca de 130 famílias de áreas mais críticas, mas ainda há muito para ser feito”, frisou o secretário.

Ele ressalta que as obras para a solução das enchentes na Bernardo Vasconcelos estavam incluídas nesse projeto maior, mas acabaram não cabendo dentro do orçamento já garantido para as demais intervenções.

Sabemos que com tanta burocracia dificilmente esse problema será resolvido, mas o Cidade Nova em Foco continuará cobrando das autoridades uma solução para que não haja tantas consequências negativas para moradores, comerciantes e pessoas que circulam pela região.

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